sábado, 6 de agosto de 2016



Sou Cristão


Sou cristão. Uma afirmação que faço com alegria, humildade, admiração  e temor. Ser Cristão é um dom recebido sem mérito de nossa parte, um empenho exigente e duro. Hoje o cristão volta a ser uma "novidade".  Num mundo em que nem todos se professam cristãos, o cristão é continuamente provocado pelo desafio  de descobrir de novo e viver a própria identidade. Não só; assim como cultura dominante não é mais aquela inspirada no cristianismo, o cristão se sente  como estrangeiro neste mundo, devendo, por isso, ir contra a corrente.

Num mundo do qual Deus está ausente e que vai se povoando de novos ídolos:  a ciência, a política, o prazer, o sucesso, o status, o dinheiro... o cristão crê em Deus. A verdadeira fé em Deus não é adesão a uma doutrina abstrata, mas a uma Pessoa. A fé em Deus vivo faz cair do trono todos os ídolos e os  reduz a meros instrumentos e, por isso, liberta o homem de tudo aquilo que o amarra.

Num mundo no qual se exalta o homem como único valor ou então se nega totalmente o valor do homem, o cristão crê em Jesus Cristo, homem Filho de Deus. Acredita que Jesus morreu e que ressuscitou. Crê que a sua vida encontra significado estando unida à do Cristo Jesus. Ele é o sentido radical da vida. Sem ele, eu nada sou. Mas a fé em Jesus é "viver como ele viveu", em um amor disposto a dar-se a si mesmo a Deus Pai e aos irmãos. A fé em Jesus encontra a sua demonstração quotidiana no amor radical pelos homens. Um empenho que tem de ser renovado todos os dias. Uma conversão contínua para um amor sempre maior.

O cristão crê no Espírito, amor vivo  e pessoal, que é Deus como o Pai e o Filho. Crer no Espírito é crer no amor, na unidade, ser sinal e fonte de união. Crer a única força criativa de libertação e transformação é o amor. Crer que o amor existe.

Num mundo no qual muitos acreditam só nos valores terrenos, o cristão crê na vida que existe  além da morte. A aventura da pessoa e da humanidade que não se acaba nas trevas do nada, mas na plenitude da vida, na comunhão beatificante de todas as pessoas como Deus e entre si. Uma fé e uma esperança que não aliena, mas que multiplica o empenho de tornar o mundo justo e fraterno.